Já os nossos corpos mergulharam juntos por entre esta selva de luz roubada, em movimentos perfeitos, em voos alados, numa dança sem fim no centro de um palco sem público. Deixar correr agora cada gota na janela baça... Que desperdicio!

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Inferno

E então ela foi. Saiu devagar pela porta iluminada pelos nossos beijos de sempre, aqueles que nunca se consumam mas que sabem sempre a pouco. Não me deu um beijo nem um abraço. Não me consolou com o timbre delicada que lhe corre pela voz. Não me cantou ao ouvido o seu amor...
E foi. Como quem escapa finalmente do inferno ... que lhe ofereço sem me recordar de o fazer. Eu... Eu fiquei acocorado junto à cama à espera que ela voltasse para me dizer que estava a brincar. Tantas foram as vezes que eu fiz isso, brincar com os sentimentos dela, testá-a ao mais ínfimo pormenor, sei lá, como quem quer ter a certeza que possuí alguma coisa. E sou sempre tão estúpido! Possuir... essa palavra deveria ser riscada do mundo. Não a possuia, nunca a possuí! Talvez porque não queria, apenas isso. Ou talvez pelo medo, pelo incerto, pelo receio, por mim, por ela.
E então um dia ela foi. Levantou-se devagar da cama fumegante do nosso calor e dirigiu-se à porta do quarto dos eternos fantasmas. Olhou para trás e disse-me apenas "Eu e tu somos um eterno adeus" e foi... Como quem escapa finalmnete do inferno que eu lhe ofereci.

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